Em 1900, Lars Dahle, secretário-geral da Sociedade Missionária Norueguesa, previu que até 1990 toda a raça humana já teria sido conquistada para a fé cristã. Em contrapartida, na mesma época, outros, imbuídos de uma fé quase cega no avanço da ciência e da tecnologia, criam que era apenas questão de tempo para que o ser humano deixasse de lado todo e qualquer tipo de crença religiosa. Hoje, claro, podemos dizer que ambos os pontos de vista estavam totalmente equivocados. A pesquisa O Cenário Religioso Mundial, realizada pelo Centro de Pesquisas Pew Forum e publicada em dezembro de 2012, mostra isso claramente. Além de a população mundial não ter se tornado cristã, o ser humano continua buscando na religião respostas para alguns dos seus anseios mais profundos. Números
Análise Diante da realidade esboçada acima, e considerando que a fé cristã é eminentemente missionária, quais são alguns dos principais desafios para a igreja do século 21 que emanam de uma rápida análise da pesquisa? Possivelmente, o desafio que mais salta à vista é o fato de a maior concentração de seguidores de três das quatro maiores religiões do mundo (hindus, budistas e muçulmanos) encontrar-se na região da Ásia-Pacífico. Se queremos que o nome de Jesus seja conhecido em toda a terra, obviamente não podemos ignorar esta região do mundo. Também chama a atenção o fato de existirem mais de 800 milhões de pessoas nesta região do mundo que são ateus, agnósticos ou simplesmente não se identificam com nenhuma confissão religiosa. Em qualquer leitura missiológica que façamos dos resultados da pesquisa, torna-se óbvio que o Islamismo, com 1,6 bilhão de fiéis espalhados principalmente pela Ásia, Oriente Médio, África do Norte e Europa, precisa estar no centro dos esforços missionários cristãos. Em 2008, o Vaticano anunciou que o número de muçulmanos no mundo havia ultrapassado o número de católicos, e tudo indica que o crescimento dos seguidores de Maomé continuará em ritmo acelerado por algum tempo, não somente por meio de conversões, mas principalmente pela alta taxa de natalidade entre as mulheres muçulmanas. Se fossem considerados um grupo religioso, os que não possuem afiliação religiosa (1,1 bilhão de pessoas) estariam em terceiro lugar, atrás apenas do Cristianismo e do Islamismo. Eles estão principalmente na Ásia e na Europa, e precisamos traçar estratégias específicas para que o Evangelho chegue a essas pessoas. A Europa, apesar de possuir um grande contingente de cristãos, torna-se, cada vez mais, um grande desafio para os esforços missionários. Além de já não ser o centro do Cristianismo mundial, a presença de mais de 40 milhões de muçulmanos, a alta taxa de nominalismo entre os cristãos (algo que a pesquisa não se propunha a detectar) e a crescente secularização, deveriam fazer com que o Velho Continente ocupasse um lugar destacado nas nossas estratégias. Precisamos, urgentemente, deixar de pensar que os povos não alcançados estão somente nos recônditos mais longínquos do nosso planeta, e parar de olhar para cidades como Paris, Roma, Madri e Berlim como se fossem apenas parte de importantes roteiros turísticos reservados aos mais abastados. Precisamos entender que, apesar da fartura material, a necessidade espiritual destes lugares precisa ser olhada com tanto interesse como qualquer outra região do mundo. Por já não existir um centro do Cristianismo mundial (os cristão estão distribuídos de maneira quase uniforme pela África, Europa e América Latina e, em menor proporção, na Ásia e América do Norte), a responsabilidade de proclamar, em palavras e obras, o Reino de Deus por toda a terra, deixou de ser um privilégio exclusivo dos cristãos europeus e norte-americanos. A igreja do “sul global” (América Latina, África e Ásia) precisa assumir a responsabilidade de investir na expansão do Evangelho. Por último, mas nem por isso menos importante, é preciso destacar que cerca de um bilhão e meio de pessoas vivem como minoria religiosa em diferentes lugares do mundo. Isso dá lugar a um sem número de injustiças, principalmente (mas não exclusivamente) na Ásia, Oriente Médio e Norte da África. Mesmo que muitos destes não sejam cristãos, precisamos ter organizações cristãs especializadas na defesa do direito à liberdade de religião e culto de todo ser humano, sem que isso afete o nosso profundo desejo de que todos conheçam a Cristo. Diante de tão grandes desafios, resta-nos rogar ao Senhor que nos capacite a sermos fiéis ao chamado e que, assim como Davi, possamos servir à nossa “própria geração, conforme o desígnio de Deus” (Atos 13.36). FONTE http://sepal.org.br/artigos/os-principais-desafios-para-a-igreja-hoje/ Postado em 10/04/2015 em WWW.jornalismogospel.com.br |
Os principais desafios para a igreja hoje
Postado por
Charles
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