Brasil atrás das grades: pesquisa revela, em números, realidade carcerária
do paísporNatasha Pitts
Jornalista da Adital
O Brasil tem hoje a 4ª maior população carcerária do mundo, são 514.582
pessoas privadas de liberdade por crimes como tráfico de drogas e roubo. A
informação é de "Direito Direito", equipe que presta serviço de informação
jurídica para leigos, e foi divulgada no infográfico "O Brasil atrás das
grades", na última semana.
Nos últimos 20 anos, a população carcerária do país cresceu 350% até chegar
a esta cifra de mais de meio milhão, que fica atrás apenas dos Estados
Unidos, com 2,2 milhões de presos; da China, com 1,6 milhão e da Rússia,
com 700 mil presos.
Devido a este crescimento na quantidade de presidiários/
ampliou a quantidade de vagas nas penitenciárias nos últimos anos. Em 1990
havia 60 mil vagas, agora em 2012 são 306 mil, aumento de 410%. Mesmo com
esta ampliação, a carência é de 208.085 vagas nas 1.312 unidades prisionais
brasileiras.
O infográfico mostra que destas quase 515 mil pessoas 93,7% são homens e
6,3% são mulheres. Quanto à escolaridade dos detentos, 275,9 mil terminaram
o ensino fundamental, 89,2 mil terminaram o ensino médio, 58,4 mil são
apenas alfabetizados, 26,6 mil são analfabetos e 5,6 mil concluíram o
ensino superior.
"Direito Direito" revela que quase 135 mil presos estão na faixa etária de
18 a 24 anos; 117,7 têm entre 25 e 29 anos e 84,4 mil têm entre 30 e 34
anos. Outro dado divulgado pela equipe é que, de acordo com o Departamento
Penitenciário Nacional (Depen), os negros representam quase 60% (275 mil)
do total de detidos.
Os motivos que levam estes milhares de pessoas para trás das grades são
quase sempre os mesmos: tráfico de drogas (125 mil presos) e crimes
patrimoniais, como furto, roubo e estelionato (240 mil presos). Em suma, o
infográfico revela que apenas nove modalidades criminosas são responsáveis
por 94% das prisões.
O Artigo 1º da Lei de Execução Penal diz que a função da prisão é
proporcionar condições harmônicas para a integração social do condenado. No
entanto, sabe-se que este papel não é cumprido por conta das péssimas
condições encontradas nestes locais. Um exemplo é a superlotação. Por lei,
cada condenado tem direito a 6 metros de cela, mas na prática, nas prisões
mais superlotadas, eles acabam tendo disponíveis apenas 70 cm.
E muitos enfrentam esta realidade por anos a fio, chegando até mesmo a
cumprir pena sem terem sido julgados, nem sequer em primeira instância, o
que é o caso de 30% dos/as detentos. No total, são 173 mil presos
provisórios que aguardam uma decisão sobre suas vidas.
Muitos não estão dispostos a esperar e tentam fugir. Nos últimos 12 meses,
apenas nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas, Goiás,
Pernambuco, Ceará, Maranhão e Pará foram registradas mais de 354 fugas. Na
outra ponta, os estados com menor índice de fugas foram Rio de Janeiro e
Sergipe, com menos de 19 fugas no último ano.
Para mais informações, acesse: http://www.direitod
Fonte: http://www.adital.
Brasil atrás das grades
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Charles
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