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[MarcelllãO - MSB] LITURGIA DA PALAVRA 4. DOMINGO DA QUARESMA - A Som



                É de aconselhar que se leia primeiro toda a Liturgia da Palavra.

  4º DOMINGO DA QUARESMA

                  ANO  A !

                                                (3 de Abril de 2011)

       A Liturgia Da Palavra deste 4º Domingo da Quaresma – A, apresenta-nos Cristo como a Luz para as nossas trevas.

            Como  a água, também a Luz – em oposição à escuridão – é um dos símbolos fundamentais da existência humana e da reflexão religiosa.

            No relato do Génesis, Deus, pela criação da luz e a sua separação das trevas, põe ordem e  distinção no caos primitivo, tornando-o compreensível e habitável.

            Na plenitude dos tempos, a Palavra de Deus veio habitar no meio de nós.

            Vida e luz de todo o ser vivo, ela ilumina com nova luz aquele que crê na Palavra feita homem, na mensagem tornada pessoa viva, concreta e histórica, no Filho de Deus invisível que dá a conhecer o Pai.

            Esses são os grandes temas desenvolvidos por S. João desde o prólogo do seu Evangelho, ilustrados através de uma série de «sinais», diante dos quais só há uma alternativa : responder sim ou não, sem atenuantes.

            A 1ª Leitura, do Livro de Samuel, diz-nos que o jovem David, antepassado de Cristo segundo a natureza humana, escolhido por Deus, revestido de um carácter sagrado, cheio do Espírito de modo permanente, é uma das figuras mais perfeitas de Cristo e figura do cristão.

            - «Enche de óleo a tua âmbula e parte. Eu vou enviar-te a Jessé, de Belém, pois escolhi um rei entre os seus filhos»(...) Samuel pegou na âmbula de óleo e deu-lhe a unção no meio dos irmãos. Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor apoderou-se de David".(1ª Leitura).

             O Cristão é também um eleito e um ungido.

            Na verdade, «os baptizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo»(LG 10).

            Esta unção baptismal, torna o cristão participante, a seu modo, da unção sacerdotal, profética e real de Cristo(LG 31), o Ungido por excelência, Aquele que veio como «Filho de David» salvar os homens.

            Conduzidos como David, também a nós nada nos faltará, como proclama o Salmo Responsorial :

             - "O Senhor me conduz, nada me faltará".

             Na 2ª leitura, S. Paulo diz aos Efésios, e hoje também a todos os Cristãos, que o Baptismo, incorporando-nos em Cristo crucificado e ressuscitado, operou na nossa vida uma passagem das trevas  do pecado à luz da vida sobrenatural.

             - "Em tempos vós éreis trevas, mas agora sois luz pela união ao Senhor. Comportai-vos como filhos da luz". (2ª Leitura).

             Feitos «nova criatura» mediante a regeneração pela água e pelo Espírito Santo, temos, pois,  de viver de harmonia com a nossa nova condição de salvos por Cristo, para darmos glória a Deus(Jo.3,20) e iluminarmos, com o testemunho da nossa vida, os nossos irmãos.

            Manter, permanentemente, esta «vida para Deus»(Rm.6,12), surgida da «morte do pecado» exige esforço constante.

            A vida cristã é uma vida pascal : a Ressurreição está ligada sempre à Paixão.

            O Evangelho é de S. João, que apresenta a cura de um cego de nascença, e diz-nos que a cura desse cego nos revela a missão messiânica de Jesus e faz-nos descobrir o itinerário que o homem tem de percorrer até chegar ao seu encontro pessoal com Cristo, a «luz do mundo», até chegar à fé.

             - "Esse homem que se chama Jesus fez lodo, untou-me os olhos com ele e disse-me : «Vai lavar-te a Siloé». Eu fui, lavei-me e comecei a ver.(...) Tu acreditas  no filho  do  homem ? (...) Tu já O viste: é quem está a falar contigo" ! (Evangelho).

             As reacções, tão contrastantes, do que fora cego e dos fariseus, colocam-nos perante o mistério e o drama da salvação :

- «E a luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam".(Jo.1,5-6).

            Cristo vai ao encontro dos homens de todos os tempos, mas sem lhes violentar os corações livres.

            Acolher a luz significa crer naquele que o Pai enviou, reconhecer que as suas obras vêm de Deus; entrar na vida nova mediante os sinais sacramentais, e assim, pela fé, pelas obras e pelos ritos, participar da sua ressurreição, vitória da luz sobre as trevas, do bem sobre o mal, da vida sobre a morte.

            No Baptismo, de que a água da fonte de Siloé é figura, recebemos a luz que nos faz filhos de Deus, e somos "iluminados".

            Quando um homem nasce para a vida nova é imediatamente libertado das trevas e a partir desse momento recebe a luz.

            Nós, com o Baptismo,  somos purificados dos pecados que, como uma nuvem, velavam o Espírito divino, e assim o nosso espírito torna-se transparente e luminoso e faz-nos contemplar as coisas divinas : o Espírito Santo desce, então, do alto sobre nós.

A escolha da luz tem também um valor profético e escatológico : o juízo está presente, mas será explícito e definitivo, quando resplandecer a glória do Ressuscitado.

Quem crê já está salvo desde agora; quem não crê – porque não quer ver – permanece no seu pecado.

            A situação dos cristãos no tempo presente, recebe luz desta página do Evangelho e da exortação paulina, que é um comentário e uma aplicação do mesmo Evangelho.

            Baptizados em Cristo Jesus, passamos das trevas para a luz.

            Vemos o sentido da nosasa vida e o destinio do mundo à luz de Cristo, somos chamados  a crescer numa perfeita comunhão de vida com Deus, a escolher e a viver – como Cristo – a vontade do Pai.

            Não podemos agir como os que não sabem; não podemos esconder-nos da luz que nos foi dada, sem assim  nos comprometermos com um  destino de trevas eternas; não podemos recusar professar a nossa fé para agir "com toda a bondade, justiça e verdade".

            O testemunho da luz é a resposta consciente, livre e cheia de amor àquele que iluminou os nossos olhos com a luz sem ocaso.

            Aqueles que souberem aceitar a Cristo, terão a «luz da vida»(Jo.8,12), e fazem parte do cumprimento do plano da História da Salvação.

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            Diz o Catecismo da Igreja Católica :

            2579. – David é, por excelência, o rei  «segundo o coração de Deus», o pastor que ora pelo seu povo e em nome dele, aquele cuja submissão à vontade de Deus, cujo louvor e cujo arrependimento serão o modelo de oração do povo. Ungido de Deus, a sua oração é adesão fiel à promessa divina, confiança amorosa e alegre n'Aquele que é o único Rei e Senhor. Nos salmos, inspirado pelo Espírito Santo, David é o primeiro profeta da oração judaica e cristã. A oração de Cristo, verdadeiro Messias e Filho de David, há-de revelar e dar pleno sentido à mesma oração.

 

                              

                                 Fez lodo e untou-me os olhos..      Eu fui lavar-me e comece a ver...

 

                                                                John

                                                Nascimento

 

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